— Fui lá na agência, te contei, não contei? Pois é, fui lá e você não tem noção de como é bonita a tal da responsável pela campanha... – dizia Nana lambuzada de restos do leite condensado que eu usava para preparar o bolo. — Um olhar, Clarinha, uma maneira de conduzir a conversa... Nossa, molhei!
— Acho que você está quase como eu: precisa dar, amiga...
— Quase como você? Acho que você está bem saciada, viu! Dizem que Laís sacia qualquer um...
— Vocês são um bando de fofoqueiros, isso sim.
— Se não fosse esse bando de fofoqueiros você ainda estaria virgem, ok, querida?!
Rimos de nossas próprias besteiras. Percebi que Nana queria saber mais sobre a noite que tive com Laís e, com jeitinho, ia arrancando tudo de mim.
— Mas... me fala uma coisa, Clara... você curtiu? Acha que rola uma coisa a mais com ela?
— Nana, não estou pensando em me apaixonar por Laís.
— Você consegue pensar por quem vai se apaixonar e por quem não vai se apaixonar? Me ensina isso?!
— Não é isso que quis dizer... – voltei-me para Nana depois que coloquei o bolo no forno. — Não está nos meus planos ficar alimentando mais do que sei que Laís pode me dar. Foi legal, foi ótimo, voltei a me reconhecer completamente graças a ela, mas, por enquanto, é só. Não nos falamos depois e provavelmente não nos falaremos até o dia da exposição.
— Essa exposição será um bafão.
Encostei-me na pia e fiquei pensando na ideia que tive de procurar alguma pista de Fernanda na internet.
— O que está pensando, pequena? – Nana me observava sentada sobre a mesa ainda lambendo os dedos.
— Pensei em fazer uma busca por Fernanda na internet.
— Mas, até para encontrar uma pista na net você precisa ter um dado qualquer. Lançar no Google apenas o nome Fernanda não vai ajudar. – lavou as mãos em silêncio e, como eu, pensava. — Clara, você recebeu um cartão dela, não se lembra mesmo do que estava escrito lá?! O sobrenome, o nome da empresa onde ela trabalha, o endereço...
— Ontem passei a noite em claro tentando me lembrar... e nada.
Eu me lembro de ter olhado muito para aquele cartão, mas não consigo recuperar à memória o sobrenome dela. Que droga!
— O que ela foi fazer na Espanha? – Nana enxugou as mãos e foi olhar como estava o bolo no forno.
— Foi fechar um negócio. Ela é publicitária, marqueteira, não sei bem... só sei que conseguiu uma conta superimportante, mas também não me lembro do nome da empresa da qual era a conta.
— E você não se lembra do nome da agência...
— Não. – respondi ainda mais desanimada. Toda vez que me esforço para lembrar de algo que me leve até Fernanda fico péssima e me sinto uma inútil de mãos atadas, impotente.
O telefone.
— Alô!
— Oi, Laís! Tudo bem? – Nana me olhou o sorriu com malícia cruzando as pernas, indicativo de que escutaria nossa conversa. Fi quei feliz em ouvir a voz doce de Laís, mas estava desanimada com o “rumo” de minhas investigações.
— Sim... foi muito bom. O quê? Na quarta? – Nana fazia sinal positivo para que eu aceitasse fosse o que fosse. — Bom, na quarta darei aula no período da manhã, mas podemos almoçar então. Ok... combinado!
Depois que desliguei, Nana pegou sua bolsa para ir embora, me deu um beijo e:
— Pense na possibilidade de Laís estar apaixonada por você... pense na possibilidade de voltar a se apaixonar.
continua...
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
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5 comentários:
Então... resolvi me adiantar dessa vez... É... eu sei que está pequeno o cap. de hoje. Tá mesmo... mas é que tem toda uma coisa do suspense, sabem...
Enfim, faz parte da coisa novelística. Na terça eu compenso, certo?
Beijos, queridas.
Você é excelente! Até que não nos deixa esperando muito como algumas autoras más...rs... É bem verdade que um capítulo pequeno é como abrir uma barra de choclate e comer apenas a pontinha dela...rs... Olha, eu adoro suspense, nesse caso um dia de expectativa já está bom...rs... Pois entre o suspense e a satisfação de ler uma cena excitante, eu fico com a cena...rs.. Beijos, linda...
Eri disse...
Oi Mariana, tudo bom?
Faz um bom tempo que procuro uma de suas fics, "O Acaso nos alcança", mas infelizmente, não encontro em site nenhum. Tempos atrás, eu tinha postado essa sua mesma fic em um fórum(aino[obviamente, com os devidos créditos a você, óbvio²]), onde foi extremamente comentado e 'aplaudido', de certa forma. Mas infelizmente, o fórum ficou off e eu gostaria de ler a sua história novamente ;-;
Teria como me passar, por favor?
Um beijão!
Érica
email: erinportela@hotmail.com
16 de agosto de 2010 12:52
Oi, Érica! Tudo bem?
A pedido da editora que pretende publicar essa história, tive que tirá-la da net.
Acabei de revisá-lo, acho que até consegui melhorá-lo (sabe qd vc lê uma coisa e pensa "acho que isso não fica legal aqui" ou "acho que posso fazer melhor..."), pois é... O ACASO foi revisto (não mudou muita coisa não... a essência é a mesma) e espero que em breve seja publicado em livro. Aí aviso vc por aqui e vc poderá tê-lo, ok?!
Beijos e muito obrigada!!!
Até breve!
:O
Chocada.
Então, aguardo até o lançamento do livro e muito obrigada pelos esclarecimentos. Entendo muito bem o que quis dizer sobre "fazer o nosso melhor". Muita sorte e sucesso na publicação *:
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