sexta-feira, 6 de agosto de 2010

CAPÍTULO 20 – OUTRAS COISAS ACONTECEM

Um reboliço dentro da minha cabeça e do meu coração. Neurônios e sentimentos revoltaram-se contra mim. Nenhuma massagem, nenhum exercício aliviaria minha tensão por enquanto. Estava estressadíssima e não era TPM.
Queria ter com quem conversar, me lamentar, encher a cara sem vergonha e vomitar no asfalto... queria não ter que ser sempre tão educada e fina.
Não aguentei e liguei para Laís, mas ela estava com a cabeça a mil, claro. A exposição era daqui a quinze dias, estava enlouquecendo com a preparação dos detalhes que se transformam em pontos fundamentais para que tudo saia perfeito.
Resolvi ir ao cinema novamente, ouvir música de olhos fechados e amadurecer a ideia de me divorciar de Pedro... que nem desconfiava desse meu drástico pensamento porque, como sempre, eu não disse. Ele achava que tudo se resolveria naturalmente, era só questão de me vencer pelo cansaço.
Dias exaustivos. Mas Laís me ligou numa noite fria e entediante.
— Fê, queria te ver...
Aquele quase pedido me fez sentir um frio na barriga e meu coração acelerar. Laís falava baixo, com tom de voz absurdamente sensual, de maneira que eu me sentisse incrivelmente seduzida e não cogitasse a possibilidade de não obedecer ao seu chamado. Tê-la de vez em quando em minha vida era um prazer. Poderia sentir-me culpada por estar envolvida cada vez mais com essa mulher enquanto meu casamento afunda na mesma proporção, mas só sinto vontade de ter mais uma vez o gosto de um beijo cheio de desejo. Estou necessitada de me apaixonar.
— Podemos nos encontrar hoje. – respondi imediatamente porque tinha pressa. Fazia quinze dias que esperava por aquele telefonema.
— Venha até minha casa. – fez uma pausa. Ouvi um riso do outro lado da linha. — Cozinho para você. – o sorriso transpareceu na voz extremamente maliciosa.
— Ok. Levo o vinho. – tentei dar à minha voz o mesmo tom desejoso, mas talvez meu nervosismo e pressa tenham ficado mais evidentes.
Arrumei-me e torci para não me encontrar com Pedro chegando do trabalho. É, eu parecia mesmo uma fugitiva, uma falsa, muito a fim de viver algo diferente do que vivia no momento, e estava disposta a isso mesmo que não fosse muito honesto.
Tomei um banho, vesti um jeans e um pulôver quente, calcei botas, coloquei uma jaqueta, passei meu melhor perfume e fui. Parei no supermercado e comprei duas garrafas de vinho (duas era uma quantidade sugestiva) e alguns tipos de queijo. Enquanto fazia tudo isso, sentia-me excitada. Havia alguém me esperando, havia alguém fazendo planos para mim. Jamais pensaria em fazer algo parecido meses atrás... mas Laís tinha aparecido, ressurgido com força e agitado meus sentimentos, provocando meus instintos adormecidos.
É claro que o que sinto agora é diferente do que senti naquele avião a caminho da Espanha. Não posso, não devo fazer comparações. O que sinto por Laís é um tesão imenso intensificado pela carência, pela falta que Clarice me faz. Essa necessidade carnal, esse desejo todo também é maravilhoso, mexe comigo, me faz bem, e faz tempo que não me sinto tão bem diante de um momento ansiosamente esperado.
Às oito da noite estava diante da porta da casa de Laís. Quando toquei a campainha, um arrepio percorreu todo meu corpo e até me veio uma vontade de sair correndo, tamanho era o turbilhão de sensações que se deu dentro em mim. Porém, quando a porta se abriu e vislumbrei um metro e oitenta de mulher, num vestido curto e decotado, que deixava pernas e seios em evidência (dentro de sua casa deveria estar bem quente), senti-me tentada em ultrapassar aquela porta e me permitir todos os prazeres que aqueles olhos azuis sedutores me ofereciam. Ela sorriu-me tão sensual estirando sua mão para que eu a acompanhasse que fiquei meio boba, sem reação. Só acordei quando já estava em sua sala e ela me deu um beijo demorado no rosto.
— Que bom que está aqui. – olhou-me profundamente e fez sinal para que eu virasse de costas para que ela tirasse meu casaco... acariciando minhas costas. Entreguei-lhe os vinhos e queijos e fomos para a cozinha aconchegante e acolhedora, inundada por um cheiro maravilhoso de molho e ervas. A luz era fraca e a decoração da mesa insinuava sedução e prazer.
Sentei-me num dos bancos junto à bancada que dividia a cozinha da sala de jantar enquanto ela terminava o molho da massa. Abri uma garrafa de vinho e cortei parte dos queijos que serviram de aperitivo enquanto conversávamos.
— Como estão os preparativos para a exposição? – perguntei a fim de relaxar um pouco antes que a excitação me fizesse perder a compostura.
— Sempre acho que falta muita coisa e que não terei tempo de resolver tudo a tempo, mas me dizem para eu não me preocupar... então tento relaxar. – ela colocou calmamente a massa numa travessa e, ao passar por mim, em direção a mesa posta parou e olhou-me sorrindo. — Por isso te liguei.
— Que bom que minha companhia relaxa você. – correspondi seu olhar convidativo.
Laís cozinhava divinamente e aquele sabor misturado ao vinho e ao desejo que eu sentia era enlouquecedor, irresistível.
Conversamos boa parte do tempo sobre a exposição. Na verdade, sentia que aquela conversa era apenas um pretexto para a troca de olhares, para dar o tempo necessário ao acontecimento que se aproximava... e que esperávamos com sofrimento até. Era parte do jogo e hoje serei uma exímia jogadora.
— Você está melhor do que o dia em que conversamos pela última vez. – comentou com a taça de vinho a caminho dos lábios.
— Acho que sim. Andei pensando... inclusive na conversa que tivemos e acho que estou amadurecendo algumas decisões que preciso tomar. – novamente eu estava confidenciando, mas também deixando clara minha permissão para que aconteça o que tiver que acontecer.
— Desculpe-me voltar ao assunto, Fernanda... mas, qual o nome da mulher que você conheceu na Espanha? – percebi que me perguntou com cuidado, analisando minha reação. Mas não entendi aquela pergunta... naquele momento.
— Por que quer saber? – perguntei um pouco desconfortável porque, ao mesmo tempo em que dividi minha história com ela, sentia ciúme dessa mesma história.
— Curiosidade apenas, querida. – seu olhar me analisava minuciosamente e me intimidava. O que aquele olhar queria me dizer?
— Clarice.
— Bonito nome. – deu um meio sorriso e desviou seus olhos dos meus em direção à taça de vinho. Pegou-a, fez movimentos suaves para que a bebida circulasse e tomou um grande gole. Queria ter o poder de ler pensamentos para entender o motivo daquela reação. Pareceu-me que o nome causou em Laís um choque, que ela tentou disfarçar com gestos cuidadosos.
— Aconteceu alguma coisa, Laís?
Então, voltou-se para mim como se tivesse saído de um transe e olhou-me intensamente alargando o sorriso.
— Não, querida. Estou ótima e feliz com sua visita. – fez uma pequena pausa e colocou mais vinho nas duas taças. — Foi um erro voltar a esse assunto. Quero que aproveitemos este momento, só importa o que acontece agora, Fernanda. – sua voz baixa, quase um sussurro, arrepiou-me de tal maneira que fechei os olhos e os abri quando senti sua perna acariciando a minha por debaixo da mesa. Encarei-a séria, engoli a seco e, estática, esperei que ela se inclinasse até mim. — Acho que já deixei claro várias vezes que você é linda, não? Que é extremamente sensual... – cochichava no meu ouvido. — E eu quero você.
Laís começou a beijar meu pescoço e eu já tinha perdido o controle sobre meu corpo, que estava teso, dormente de vontade de sentir os beijos que, aos poucos, Laís espalhava sobre ele. Puxei-a com força de encontro a mim e devorei sua boca. Naquele momento eu também poderia mostrar a ela como se faz porque meu desejo explodia com tanta força que beirava a violência. Ela levantou-se trôpega, agarrou-me pela cintura e, sem que nossas bocas se desgrudassem, levou-me em direção ao quarto. Íamos nos beijando e tropeçando e derrubando o que havia pela frente. Quando chegamos próximo a sua cama eu já estava sem a blusa e ela com parte do vestido caída a seus pés. Apertei seu seio com força e ela gemeu no meu ouvido. Laís empurrou-me com a mesma força para cima da cama e tirou o restante da minha roupa. Sorriu enquanto beijava minhas pernas e, com o canto dos olhos me observava enlouquecer com aquela tortura. Eu não dizia nada porque o momento não era para declarações de amor, era de um tesão imenso, que não cabia em mim.
Enquanto acariciava seu cabelo, Laís encaixou-se no meio de minhas pernas e, assim que encostou sua língua no meu ponto mais excitado, respirei fundo para aproveitar o máximo que conseguisse. Ela se tocava ao mesmo tempo e não demorou muito para que gozássemos... e gozamos mais, e eu mostrei a ela que também sabia fazer, e ela me olhava com olhos sacanas e pedia mais, e mais, e mais... até que, exaustas, dormimos.

continua...

4 comentários:

Anônimo disse...

Nossa essa Lais é uma filha da mãe hein! Poxa Mariana, escreva mais vezes, não nos deixe assim com gostinho de quero mais por tanto tempo!rs. Beijos, Marília.

Anônimo disse...

Já li e nem era grandão assim....rs

Mariana Cortez disse...

Hahahaha, vcs andam muito exigentes. Vamos fazer um trato: eu paro de trabalhar e vcs me pagam pra escrever pra vcs... combinado?!! rsrsrs
Vcs estão quase me alcançando e eu estou ficando sem capítulos...rsrsrs.
Beijos, meninas... ótimo fim de semana.

Anônimo disse...

Transação não efetuada por falta de saldo. Viu?! Tentei, mas sou assaltariada e a conta com sua boca enorme de dentes afiados e medonhos, abocanhou tudinho... uma pena pq eu queria tanto um capítulo conforme normas já estabelecidas, lembra?! 16 páginas, A4, arial 5... Mas tudo bem, tava verde.
Final de semana excelente para você, admirável dona Mariana.