A CONFISSÃO
Ela estava no quarto, olhando para o teto, acho que estava olhando para o pôster do Portishead quando entrei. Assustou-se quando abri a porta e olhou-me nos olhos. Eu estava séria e trêmula... fui entrando e indo até ela que me encarava sem piscar. Essa é a hora de esclarecermos algumas coisas, alguns sentimentos, algumas palavras que não estão sendo ditas. Mas, como começar? Meu estado emocional é o seguinte: coração saindo pela boca, mãos suadas e muito frio no estômago, parece que estou prestes a pular de um Bang Jump. Não sei o que ela está sentindo, mas pelo seu olhar, parece tão apavorada quanto eu. Mas eu começarei esta conversa, eu mereço estar mais nervosa.
_ Preciso falar com você... – sentei-me na cama meio desajeitada, tentando disfarçar meu nervosismo absurdo, ao lado dela. Ela levantou apoiando-se no cotovelo e na cabeceira da cama. Continuava a me olhar séria e isso me deixou ainda mais desconfortável. _ Eu não sei o que anda passando pela sua cabeça, Larissa, mas quero contar o que anda passando na minha, mesmo sem ter muita certeza, aliás, sem ter certeza nenhuma... – ela me analisava agora, não se fixava apenas em meus olhos, observava as palavras que saiam invisíveis da minha boca, observava meu cabelo, meu nariz... tudo. _ Ultimamente estão acontecendo coisas estranhas entre nós que eu não entendo. Ontem, acho que chegamos ao limite, ninguém entendeu nada, mas acho que cabe a nós tentarmos compreender o que aconteceu e o porquê de estarmos assim, controlando tanto uma a outra, querendo tanto estar presente em tudo o que a outra faz... eu queria entender essas coisas porque estou ficando, ou melhor, estou confusa e nem sei como dizer que...
_ Eu te amo, Juli!
Atravessei o meio daquelas frases confusas, nervosas e desconexas e fui direto ao ponto... já que ela estava tão perturbada quanto eu. Ela parou de falar e agora me olha com espanto, boca aberta com a frase que ficou pela metade. Meu coração está aos pulos, mas estou aliviada por, finalmente, dizer algo que estava entalado em mim e me fazendo sofrer.
_ Quê? – ela perguntou pasma como se a “ficha” houvesse caído naquele instante e agora, como num passe de mágica, eu estava corajosa.
_ Eu sei o que está acontecendo, Juli, pelo menos sei o que eu estou sentindo. Acho que é amor o que se sente quando nos encontramos incontrolavelmente felizes ao estarmos perto de alguém, só olhando... – ela parecia mais calma, como se eu tivesse tirado dela o peso da confissão. Sorriu dando-me a certeza de que era exatamente o que eu disse o que ela queria dizer com tantas frases atropeladas e sem sentido. Ergui-me mais e fiquei bem de frente a ela, muito perto, senti sua respiração irregular tão perto que não consegui mais enxergá-la e então fechei meus olhos, estávamos tão perto uma da outra que nossos lábios se tocaram e me arrepiei, e senti um desejo enorme me invadir, um calor, a vontade de tê-la pra mim... pra sempre.
Acabei de pular de Bang Jump. Meu coração disparou, meu estômago dá voltas... Isso é que é adrenalina? Quando senti a língua de Lara entrando em minha boca pensei que fosse morrer, quando nos envolvemos no beijo demorado e doce pensei que fosse gozar naquele instante em que ela acariciou meu rosto e apertou minha mão. Meu Deus, o que é isso??? O que significam todas essas ondas enormes de um calor que me faz perder o controle? Nossas bocas se encaixaram perfeitamente e eu não queria que aquele beijo terminasse nunca mais.
Ela estava no quarto, olhando para o teto, acho que estava olhando para o pôster do Portishead quando entrei. Assustou-se quando abri a porta e olhou-me nos olhos. Eu estava séria e trêmula... fui entrando e indo até ela que me encarava sem piscar. Essa é a hora de esclarecermos algumas coisas, alguns sentimentos, algumas palavras que não estão sendo ditas. Mas, como começar? Meu estado emocional é o seguinte: coração saindo pela boca, mãos suadas e muito frio no estômago, parece que estou prestes a pular de um Bang Jump. Não sei o que ela está sentindo, mas pelo seu olhar, parece tão apavorada quanto eu. Mas eu começarei esta conversa, eu mereço estar mais nervosa.
_ Preciso falar com você... – sentei-me na cama meio desajeitada, tentando disfarçar meu nervosismo absurdo, ao lado dela. Ela levantou apoiando-se no cotovelo e na cabeceira da cama. Continuava a me olhar séria e isso me deixou ainda mais desconfortável. _ Eu não sei o que anda passando pela sua cabeça, Larissa, mas quero contar o que anda passando na minha, mesmo sem ter muita certeza, aliás, sem ter certeza nenhuma... – ela me analisava agora, não se fixava apenas em meus olhos, observava as palavras que saiam invisíveis da minha boca, observava meu cabelo, meu nariz... tudo. _ Ultimamente estão acontecendo coisas estranhas entre nós que eu não entendo. Ontem, acho que chegamos ao limite, ninguém entendeu nada, mas acho que cabe a nós tentarmos compreender o que aconteceu e o porquê de estarmos assim, controlando tanto uma a outra, querendo tanto estar presente em tudo o que a outra faz... eu queria entender essas coisas porque estou ficando, ou melhor, estou confusa e nem sei como dizer que...
_ Eu te amo, Juli!
Atravessei o meio daquelas frases confusas, nervosas e desconexas e fui direto ao ponto... já que ela estava tão perturbada quanto eu. Ela parou de falar e agora me olha com espanto, boca aberta com a frase que ficou pela metade. Meu coração está aos pulos, mas estou aliviada por, finalmente, dizer algo que estava entalado em mim e me fazendo sofrer.
_ Quê? – ela perguntou pasma como se a “ficha” houvesse caído naquele instante e agora, como num passe de mágica, eu estava corajosa.
_ Eu sei o que está acontecendo, Juli, pelo menos sei o que eu estou sentindo. Acho que é amor o que se sente quando nos encontramos incontrolavelmente felizes ao estarmos perto de alguém, só olhando... – ela parecia mais calma, como se eu tivesse tirado dela o peso da confissão. Sorriu dando-me a certeza de que era exatamente o que eu disse o que ela queria dizer com tantas frases atropeladas e sem sentido. Ergui-me mais e fiquei bem de frente a ela, muito perto, senti sua respiração irregular tão perto que não consegui mais enxergá-la e então fechei meus olhos, estávamos tão perto uma da outra que nossos lábios se tocaram e me arrepiei, e senti um desejo enorme me invadir, um calor, a vontade de tê-la pra mim... pra sempre.
Acabei de pular de Bang Jump. Meu coração disparou, meu estômago dá voltas... Isso é que é adrenalina? Quando senti a língua de Lara entrando em minha boca pensei que fosse morrer, quando nos envolvemos no beijo demorado e doce pensei que fosse gozar naquele instante em que ela acariciou meu rosto e apertou minha mão. Meu Deus, o que é isso??? O que significam todas essas ondas enormes de um calor que me faz perder o controle? Nossas bocas se encaixaram perfeitamente e eu não queria que aquele beijo terminasse nunca mais.
Um comentário:
Mari, que beijo foi esse? Rsrsrs. Lindo texto. Saudade de Lara e Juli. Por causa delas é que encontrei minha linda Vida. Beijos. Ótimo texto. Parabéns.
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