— Te encontro aqui depois de amanhã às oito.
— Estarei aqui esperando por você.
— Ávila é longe daqui?
— Não. Alugarei um carro e vou dirigindo.
— Não acredito que terei que viajar de avião novamente.
Sorri. Estávamos no aeroporto. Ela voaria até Barcelona e eu teria que estar em Ávila às dez da manhã. Estávamos exaustas e doloridas, mas muito felizes.
— Não quero nenhum pedido de sua parte para troca de lugares no avião, ok?
Ela riu divertida e me beijou.
— Acredita que não trocamos telefones?
— Nossa! Que distraída. – revirei minha bolsa e encontrei um cartão. — Meu celular e meus telefones de casa e do escritório.
— Ótimo. Coloque o meu na sua agenda.
Peguei meu celular e anotei.
— Só tenho o número do celular. Não vou te passar o da casa dos meus pais porque eles nunca sabem onde estou. – sorriu. — Bom, me espere. Depois de amanhã estaremos a caminho do Brasil.
— Com toda certeza do mudo. Boa sorte em sua apresentação.
— Boa sorte em sua palestra, espero que agora esteja preparada.
Senti seu abraço forte e sua mão colocando algo no bolso do meu casaco. Acho que eu estava fazendo a coisa certa: investindo tudo naquela paixão repentina.
Deixei-a no embarque e fui em busca de um carro que me levasse a Ávila.
No caminho pensei em tudo. Em como desmancharia meu namoro de três anos com Pedro, em como me explicaria com meus pais que o amam mais do que eu. Tentaria não dizer o motivo real do rompimento por enquanto, omitiria parte da verdade, colocaria panos quentes antes de revelar a causa da minha súbita mudança. Mudança para melhor. Clarice me fez viva, uma mulher de verdade, que sentia a paixão arder, o prazer intenso... Nunca havia sentido antes o que senti ontem. Faltava Clara.
Estava com cara de boba, que sustentava um sorriso permanente. Sentia-me leve, disposta a tudo... aquela força que surge e que nos envaidece. Eu me sentia tão forte que seria capaz de enfrentar qualquer dificuldade com alegria. Não conseguia parar de pensar em Clara nem um minuto. Seu jeito, seu sorriso, sua voz, seus olhos, seu corpo, sua personalidade... eu respirava Clara e rememorava tudo o que havia acontecido até ali, desde o momento em que ela entrou no avião.
continua...
sábado, 26 de junho de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário